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Autores e Obras

ELÍPTICO

Roberto Prado  - 27/06/2007


Elipse: Curva obtida pela intersecção de um cone de revolução com um plano oblíquo em relação ao eixo e não paralelo à geratriz.




Perguntam por mim ultimamente, “onde anda o Roberto; o que é feito de Roberto; porque ele sumiu; onde andará; será que fiz/fizemos alguma coisa para ele? Telefonam-se mutuamente, perguntam discretamente, de forma enviesada, por onde andará o Roberto?”

Estou onde sempre estive.

Na minha.

Em paz.

Recolhido em meditação e preces (sim, menos Roberto, menos)...

Mentira.

Estou acuado em minha toca, em meio a outro surto. Estou enojado das pessoas, das coisas, das situações a que sou obrigado a vivenciar diariamente, dos sapos que sou obrigado a engolir (e não digerir) todos os dias.

Estou farto.

Cansado.

Quando isso acontece, desapareço até recarregar as baterias, esvaziar o “saco”, conseguir alento para voltar ao mundo. Por isso me considero um sujeito elíptico, ora próximo ora afastado.

Quando dou por mim, já estou longe, e aproveito a distância para ver em perspectiva, reavaliar minhas prioridades, pesar o que vale a pena e o que não compensa.

Nesses afastamentos, aproveito para rever velhos amigos, voltar lugares esquecidos e deixados para trás na “última rotação” e reavaliar meus conceitos...

Ando azedo, amargurado, chato. Tento não pensar nas coisas que me chateiam, me aborrecem, me enfadam, me pego muitas vezes lembrando pessoas e situações que me irritaram e pronto, acabou meu dia. Uma raiva muda, seca, me enche o peito, e ...

Cada mais chego à conclusão que bom mesmo é ficar só, ouvindo minhas músicas, lendo meus livros, brincando com meus cachorros, vendo os passarinhos da minha casa, longe de todos, não de tudo, mas de todos. Sem atender telefone, nem receber recados, sem querer saber quem morreu, quebrou uma perna ou pegou resfriado.

As pessoas me cansam.

Certa vez li, não me lembro onde li a seguinte frase: QUEM NÃO VIVE PARA SERVIR, NÃO SERVE PARA VIVER. Não sei o que tinha em mente o santo (em minúscula mesmo, haja vista que isso É uma ironia) tinha na cabeça (nível alcoólico) para escrever uma coisa dessas.

Sempre fiz o possível para servir bem as pessoas à minha volta, mas em algum momento (deslize meu, talvez?) acho que dei a entender que minha amizade, meu apreço por eles, meu desvelo, era subserviência e me vi sendo, se não explorado, pelo menos depreciado, relegado a quase uma pessoa de segunda classe, aquele que, se “não arrumar coisa melhor para fazer, passamos lá; se chover e desmarcarem o compromisso anterior te ligo”, ou depois de tudo combinado, te ligam e dizem: “Não tô mais afim...”

Entro agora em meu afélio, porque só me afastando (e muito) para agüentar essas pessoas à minha volta...

Roberto Prado  - 27/06/2007

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