AMANHÃ É “CINZAS”
Roberto Prado - 25/02/2009
Hoje acaba o carnaval.
Vai sem deixar saudades, como até hoje nenhum deixou. Já foi tarde, como todos os outros antes desse.
Tentei ignorar a efeméride, mas a TV não o permitiu, o rádio não permitiu, pois o ubíquo Rei Momo estava lá, sempre onipresente com seus súditos fazendo os mais selvagens tum-tum-tuns, praticumbuns, cantando, ou antes, hurrando seus sambas enredos sem sentido, pé ou cabeça.
O botão que mais pressionei no controle remoto foi desliga.
Das janelas do apartamento, terceiro andar, entrava junto com o calor e o mau cheiro das ruas, os sons dos tamborins, os “leles lá-las”, buzinassos, gritos e outros sons tribais oriundos das mais ancestrais cavernas.
Em busca de ar, sai à rua e o céu anunciava chuva para logo, nem tudo estava perdido ainda.
Fui à feira, e lá comendo pastel senti os primeiros pingos, grossos e ainda quentes, mas lá estava a confirmação, choverá!
Voltei para casa, almocei e fui fazer a sesta.
Ao acordar á tarde já chovia, e num crescendo a água foi caindo cada vez mais e - perdendo a ilusão de ser minimamente otimista - vi que ela não foi capaz de arrefecer a fúria carnavalesca.
A turba ainda passava pela rua aos gritos de uma alegria homicida e insana.
A tarde deu lugar à noite, quando por fim, numa apoteose apocalíptica (ficou muito redundante?) o céu apresentou-se com raios, trovões e uma tempestade de lavar os confetes, serpentinas e os pecados do mundo.
Minha alegria então chegou tarde e no último dia de carnaval, mas chegou...
Amanhã é “Cinzas”!
Roberto Prado - 25/02/2009